Regressões, digressões e progressões sobre o amor
Importante
Todos os textos do blog, em prosa e verso, a não ser quando creditado o autor, são de minha autoria e para serem usados de alguma forma, necessitam de prévia autorização.
sábado, 18 de fevereiro de 2017
sábado, 11 de fevereiro de 2017
Poemas de rua
Nesses tempos
de tablets, smartphones e outros “gadgets”, ainda não me acostumei com
escrever, criar, nesses pequenos dispositivos. Já tem alguns anos que criei o
hábito de escrever direto no computador, mas a escrita à mão não abandonei
completamente; num caso isolado ou outro, ainda lanço mão (literalmente) da
caneta e papel, que foram meus instrumentos por longo tempo.
Mas o
problema é quando não estou em casa. Romancistas e contistas são escritores
eminentemente caseiros no ato de escrever. Eu diria essencialmente caseiros. A
escrita deles é extensiva e contínua, ao passo que os poetas são mais
fragmentários, mais econômicos e imagens, ideias, palavras vão surgindo meio
atrevidas e insolentes e sem escolher hora e lugar pra “atormentar” seu
atarantado porta-voz, que é o poeta. É meio como ser um repentista mais
vagaroso e que cria em silêncio.
Sendo assim,
o “assalto” ocorre numa fila de banco, no supermercado, correndo na beira da
praia, num trajeto de carro, enfim, em situações imprevistas em que nem sempre
é possível sacar o smartphone e digitar no bloco de notas.
Já me
aconteceu inúmeras vezes e penso que não vai parar: ter que apelar pra minha
memória. A minha sempre foi boa, mas a distração e o excesso de informação nos
afeta e faz parciais desmemoriados. Mas com a poesia ocorre um fenômeno: a
memória se mostra quase infalível.
Não sei quantas vezes que, sem caneta e
papel, sem celular, sem lenço nem documento, fiz estrofes inteiras, às vezes até
poemas inteiros ou quase, “de cabeça”. Eu mesmo fico incrédulo e atribuo isso
ao medo de perder a ideia, a palavra, o verso e esse medo me faz obstinado a
ponto de reter tudo e “salvar” os versos no HD de massa encefálica. A cada
trecho já “escrito” reviso, declamo mentalmente e só aí prossigo na criação.
Quando chego
em casa, aflito, corro pra máquina, olho pro teclado e despejo tudo na tela,
com grande alívio, nesse louco “delivery” de poemas de rua.
Não recomendo
esse hábito a ninguém, o risco da perda é alto. Só que acho mais perigoso ainda
cair num bueiro aberto enquanto estou correndo e ao mesmo tempo escrevendo um
poema no meu celular.
O poema a
seguir é um desses “poemas de rua” que escrevi sem escrever. Um poema “de mente”.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
Universalidades particulares
Tive de recorrer à prosa poética pra me colocar.
Habeas porcus
Nas cidades perplexidades nos campos escassos
pirilampos um Chapolin do Mal Trumpolim pra famigerada fama de demolir o
barraco de Obama sinal dos templos maus exemplos vindos de cima as loucuras do
clima futuro sombrio como o frio novo Muro de Berlim no fim da picada texano
insano enquanto no resto do mundo crianças sem esperança em nada são fulminadas
pela fome ou pelos homens com balas perdidas e achadas enquanto a utopia
entupia e virava entropia enquanto o pinto pia a pia pinga e ninguém nos vinga
nem redime ainda bem que meu time foi campeão e essa terra não tem vulcão nem
ciclone só uns clones drones e iphones e outras muambas de Cochabamba e logo é
Carnaval, que mal habeas corpus sarados bronzeados...
sábado, 28 de janeiro de 2017
Considerações gerundiais
O que não se pressente
O agora é o presente que a gente ganha da vida sem
barganha a saída do que veio o papel amassado do passado o recreio o recheio
cheio de sabor o calor que nos move mesmo se chove a nau que singra o mar e não
o não que sangra sem parar feito os defeitos que não se quer relembrar agora
desfeitos o presente nos é dado desmontado e a gente monta apronta aos poucos
loucos pra que resulte e a gente exulte e o presente presenteia e se tece a
teia de eventos sentimentos inventos sentidos de incontidos improvisos de
entãos fugazes e mãos cheias de ases no jogo do logo do fogo que se sopra e ele
alopra vivaz no lume e os cumes e grotões são intercalações que urgem surgem
passam e o novo vem de trem de escada do nada pro mal pro bem e tal com sal ou
sem now vem de surpresa incerta comporta aberta da represa
sábado, 21 de janeiro de 2017
sábado, 14 de janeiro de 2017
Sou neto
Sou o que chamam de sonetista, ou seja, alguém que ousa tentar escrever
sonetos.
Sonetos, na forma, são poemas de 4 estrofes, dois quartetos e dois
tercetos, totalizando 14 versos. Vêm da tradição literária francesa e inglesa.
Shakespeare os escreveu, Pablo Neruda e Augusto dos Anjos também, entre tantos
outros luminares do gênero.
Lembro-me do fascínio e do impacto estético e existencial que a leitura,
ainda adolescente, dos sonetos de
Augusto dos Anjos me causou. O registro disso no meu inconsciente deve ter sido
tão marcante que, mais tarde, vim a me aventurar pela escrita deles.
Sonetos são considerados, quase uma unanimidade, de feitura árdua. E não
é pra menos. Os cânones que o caracterizam são precisos e rigorosos. Você tem
que expressar sua ideia e emoções em exatos 14 versos, iniciados por dois
quartetos e finalizados por dois tercetos. A métrica não se impõe com menos
rigor. A estrutura das rimas, sua disposição ao longo do texto, até que aceita
algumas variações, mas a simultaneidade disso tudo cria dificuldades para seus
autores.
Manter a coerência da sua ideia, tendo de cuidar da métrica rigorosa, das
rimas em seus devidos lugares, leva quem os escreve a exercitar uma espécie de
jogo de armar, onde a criação e encadeamento dos versos não segue
necessariamente uma linearidade. Pra ilustrar com um exemplo pessoal, certa vez
comecei a escrever um soneto pelo último verso.
Sim, confirmo que sonetos são de construção árdua, mas ocorre que isso me
instiga, desafia. Poucas coisas são tão prazerosas para um sonetista - se me
permitem falar por todos – que contemplar um novo soneto concluído e se dar
conta de que ele ficou bom. Que, a despeito das dificuldades impostas pelos
rigores das regras, ele conseguiu se expressar. Chego a pensar que tais
“obstáculos” não raro estimulam a criatividade e as boas ideias até mesmo pra
contornar as limitações.
Às vezes, por puro espírito lúdico, mesmo quando a proposição temática é
densa, me imponho ainda mais rigores, como por exemplo: me propor a escrever um
soneto só com palavras monossílabas, ou proparoxítonas, ou com uma única rima
em todos os versos. São pequenas
transgressões que me permito, ao mesmo tempo em que crio essas regras
extras.
Sonetos são uma das mais tradicionais formas poéticas. Tem tantos
apreciadores, tanto seus autores quanto leitores, que seguem firmes até hoje,
com relativo volume de produção, em que pese o temor que inspira em muitos
poetas.
Particularmente, gosto de escrevê-los em sua rigorosa forma clássica, mas
também refrescá-los com experimentações. Meu fascínio de adolescente com o
tempo se transformou num prazer difícil de descrever ao construí-los, mesmo
quando me ponho a mudar palavras em busca da perfeição da sonoridade e do ritmo,
mudar por vezes um verso inteiro ou até uma estrofe inteira, tal qual uma mulher
sedutora e atraente que no entanto se revela difícil e exigente.
sábado, 7 de janeiro de 2017
Quintanista
E o blá blá blog
completa 5 anos. Tem casamento que não dura
isso, compromisso sempromisso. Casamento aqui tem como cônjuges vocês,
leitores e eu, autor. E ele tem sido bem sucedido. Mais de 50 mil visitas. Então penso
que nenhuma das partes tenha sentido solidão. E nem
falta de paixão, pelo menos do bardo que vos fala. Poeta que
não se cala
e segue atento a todo movimento, desde essa esfera azul que gira
incessantemente e é nossa casa, até o
sublime/profano das assinaturas humanas.
Desde o início a proposta foi
conversar com o leitor, na medida do que é possível num
blog. E ele tem mantido a proposta. Não sei se
nas linhas e entrelinhas, nos textos e subtextos é possível
perceber o prazer que me dá postar. Podem apostar, ele
é grande.
Parto da premissa da troca entre pessoas, não importa
se autoras ou “só” leitoras,
que têm em comum
comigo o gosto pela poesia.
Nunca quis que o blá blá blog
fosse um mero receptáculo dos meus poemas e venho
exercitando uma prosa que aborda variados aspectos dos fazeres poéticos e
também temas
relacionados com a vida, o tempo, os mistérios, as
paixões
humanas.
Não é um diário, mas
pensando bem é meu diário de
bordo. São até agora 234
posts, mas minha sensação é muito
mais de qualidade que de quantidade. É meu
confessionário, meu pensar em voz alta e uma racionalização das
minhas emoções. Quem sabe também “emocionalizações” da minha
razão.
Agradeço de coração aos que
embarcaram e seguem embarcando nessas minhas viagens e asseguro que há outros
caminhos ainda a percorrer.
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