Importante

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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

O avesso em versos



Nãos


Ostra não alardeia pérola
Pérola não enfeita colo plebeu
Plebeu não tem sangue azul
Azul não é mais a cor da baía
Baía não é mais a casa do peixe
Peixe não é mais milagre do santo
Santo de casa não faz milagre
Milagre não é solução pra miséria
Miséria não deixa criança crescer
Crescer não é o único direito

Direito não é pros avessos


sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Contando

Ser artista é dar murro em faca pontuda e nadar contra a corrente. Portas fechadas? Não existem portas, só janelas, por onde esticamos pescoços pra bradar. O mundo é prático e tende a preferir simples arremedos a coisas menos rasas e imediatistas que obrigam a refletir. Estamos na ordem da estupefação e do atordoamento, anestésicos pra angústia de viver sem no fundo nem na superfície sabermos  a que se destina e com que propósito. E vamos alternando escapismos com filosofices  e individualismo com coletivices solitarizantes. Nietzsche disse que temos a arte pra que a verdade não nos aniquile. O que parece fuga é concretude e motor. O artista antena e reverbera tudo isso e regurgita de várias formas, particularmente o contador de histórias, o raconteur, o menestrel, o repentista, o rapper, o  poeta.

                 Narro o que narra


Aponta o lápis
Extrai as farpas
Sem penas próprias
Encharca a pena
Vazam volúpias
Noites de núpcias
Força do verbo
Na dor que narra
Fugas e amarras
Mais os prazeres
Superlativos
(que ele amplifica?)
Sim, tem seus crivos
que não sabotam
Não vive em Gotham
Nem todo mote
é embarcação
Ora canção
Gritada trova
Copo de fel
ou mel no favo
Em desagravo

ao coração


sábado, 2 de setembro de 2017

Centelha sem telha

Enquanto isso, no país que é justo com seus trabalhadores e que trata bem os idosos a ponto de garantir trabalho PARA TODA A VIDA...


Cién años

Quem nunca comeu melado
Sem ele vai prosseguir
Sujeito posto de lado
Banido do seu porvir

Nem plano B arrojado
Mandinga, reza, elixir
Destino de aposentado
Comer do pasto a raiz

Viver cem anos, quem sabe
Pra então ter o que lhe cabe
Enfim desescravidão

Depois de imensa jornada
Gozar a vida é piada
Cem Anos de Exploração




                                 

sábado, 26 de agosto de 2017

Vênus e Mercúrio




Prata e ouro


Teu gozo assombroso é tão intenso extenso que toda tremes e temes desfalecer enlouquecer em ondas redondas de choque a cada estoque e entre assombros e escombros de lençóis amarfanhados melados redemoinho de suor e vinho debaixo da saia chegas às raias da alucinação e ris de tesão e nervoso do quase perigoso jogo de pôr fogo no pavio curto no surto do cio que adio por provocação a emoção nos toma e a tarde arde em nossa redoma atemporal imoral e sublime que nos profana e redime e não se trata só da prata do carnal mas do ouro do transcendental  e mesmo assim tu, rouca e louca e ansiosa já na aurora me implora: cala a boca e goza...

                                              

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Felizices


Na raiz


Ser feliz tá na raiz, nos quadris, o que diz na bula não engula pula esta parte com engenho e arte, desfranze o cenho e o ferrolho ferrenho, apura o molho arregala o olho esparge a pimenta tenta e tenta vai tentando, quando menos se espera a coisa acelera desmodera. O intenso se rasga chora, mas é feliz mesmo sem diretriz, faz do lenço uma vela enfunada pra de tudo ver nesse oceano imenso. Ser feliz tá nos quadris, na dança, no ser grande criança e lá num canto do peito soltar o canto mesmo sem jeito e afinação contanto que brote do coração. Não é alienação mas brandura mesmo na braveza. Feliz de não ser juiz de valores nem de amores. Feliz quando o desassossego dá lugar ao gargalhar do desapego

                                       

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Não!


Não


Enfia a meritocracia goela abaixo golpe baixo em quem crê e defende os direitos civis não servis cada etapa um tapa na cara um cala boca vala comum retórica oca enquadrando um por um quando o abismo é melhor menos pior que o cinismo e no ostracismo social sem emergências do bem só do mal o claustro às escuras a ante-sala do caos o silêncio grita pra surdos que ficam mudos pra cometer absurdos as pilhérias das pilhagens as tragédias das trucagens tripudiárias abecedárias são tribos várias de  chantagistas, de conformistas, de arrivistas, de privatistas, tudistas, nadistas a prazo e à vista uns califas botando em rifa a pátria que nos pariu golpe civil, escroques sem fuzil, digamos ENE A O TIL!