Importante

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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

sábado, 9 de dezembro de 2017

Mel e fel


Nem toda água é potável. Mas nem todo tema é poetável? Existem temas espinhosos, mas uma vozinha sempre me diz: _Vai fundo que o mundo não é só júbilo e gozo e não são só de tijolos amarelos os trajetos. Não são só orquídeas e rosas mas também as insidiosas plantas que devoram insetos.


Pollyannas e Pollyannos preferem que as pedras não sejam arremessadas na plácida superfície do lago a revolver o lodo do fundo, mas se o profundo se faz raso, a razão é estrangulada pela emoção e daí se vai e se esvai o equilíbrio. Pensar fora da caixa é bom e bem-vindo, mas fora da caixa não é um cenário de peça infantil. Somos crianças adultas e nada de temáticas ocultas pra não causar abalos e não doer nos calos. Flor que é flor é pétala e espinho. Bebamos água mas também vinho. A vida, ávida, é mel e fel.


Promessas da razão

Todos os motivos pro cinismo
Toda pequenez na vastidão
Todos os atalhos pro abismo
Todos os cupins da corrosão

Todas as paixões e seus castigos
Todos os demônios no porão
Todos os covardes sem perigo
Todos os punhais da castração

Todos os desvãos do labirinto
Todos os desejos tão famintos
Todas as promessas da razão

Tudo assim no dito por não dito
Tudo que é póstumo e maldito

Tudo que era sim e agora é não


sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Tudo sobre o nada


Volta e meia – e na outra meia volta também – a dura concretude da realidade tem de ser atenuada pra aliviar a pressão, seja com simples escapismos, ou com arte, prazer, riso, beleza e por aí vai-se, sem que se esvaia a consciência do que é denso e grave.

Eu, como cidadão poeta tento fazer minha minúscula parte e não me omito em minha escrita e arte. Então me permitam quando em vez tergiversar, enveredar por trilhas que deem em açudes plácidos, com céu de nuvens brancas e brincar, brincar com as palavras, seus sons e significados, brincar de ser filósofo, repórter e palhaço, ajudando a nutrir o lúdico que todos carregamos e que se faz necessário preservar e fomentar.


Talvez a arte e a poesia não vão mudar o mundo, mas se elas fizerem sorrir, pensar e se emocionar, já será uma imensa redenção.


Tudo sobre o Nada

Sabemos pouco do Nada
A morte ou a negação
O corte, a desconstrução
Pensar que nunca acontece
O que pra sempre se esquece
Tudo o contrário do Nada
Tudo o que o Nada não é
Nada fazendo emboscada
Pra Tudo fugir de ré
Ser Tudo é grandiloquente
Ser Nada é ser indigente
Pragmático é, contudo
Que se infere por verdade
Num copo com meio Tudo
Nada há noutra metade



sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Som vital








Décadas atrás, a NASA enviou uma sonda ao Espaço com mensagens a possíveis civilizações extraterrestres. Em seu interior, imagens representativas da Terra e da nossa Civilização. Não se esqueceram de incluir sons, como música, gente falando em alguns dos nossos idiomas e sons da Natureza.
Sim, porque nosso lar e seus ocupantes, como estão vivos, produzem toda sorte de ruídos. Viver é praticamente produzir sons, naturais ou não.

                                      
                                       Som que soma


A Natureza é pródiga em sons quase todos bons, máquinas produzem barulho modernos entulhos, seres humanos são ruidosos mais os bebês que os idosos, então se tem trovão ranger de metal choro riso e tal temos vida em som e movimento momento a momento. O silêncio tirando os templos do Tibete e do Nepal e a profundeza abissal é vaca que não berra é motor que morre é pausa que emperra é luz que falta e emudece a canção que vem do rádio é gol no estádio sem comemoração é sexo com recato e sem tesão, silêncio é o som do nada é emboscada é o medo o segredo a raiva que se cala e adoenta é o tormento não vazado em tormenta o amor que não se tenta aos sete nem aos setenta, vida é som de papo sério ou besteira o chuá da cachoeira a sirene da ambulância  a  exuberância do aplauso no fim do concerto o que não tem conserto silencia. Vida é barulhenta na aflição e na euforia
                     

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Resiliência


Talvez por instinto de preservação da psique, prefiro acreditar que dias melhores virão e que nem tudo está perdido. O poço é fundo, mas lá da borda tem uma corda até aqui. A derrota principia na alma e no ânimo. Tenhamos fé na nossa resiliência e em que não vamos sucumbir.

As marés estão aí pra serem navegadas, mesmo que no seu sentido oposto. Busquemos e façamos sentido e sentidos.

Resistamos. Pela arte, pela palavra, pelo protesto, pela mobilização. Mesmo que nos roubem os remos, nademos.


Nado


Quando cumprida a promessa
Troca-
remos os rumos
por flutu-
ações fora do prumo
no ri-
acho morno
da ida sem re-
torno
E essa tal promessa
que se move sem pressa
Ainda que a extraia
Não será o nada
e sim o que nada
sem morrer na praia


sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Reincidente


Conto com a infinita paciência de vocês, espero que me desculpem por ser recorrente e num curto espaço de tempo, mas uma vez mais me sinto como poeta e sobretudo cidadão compelido a não silenciar diante de diários desmandos, politicagem de índole ruim, oportunistas, um verdadeiro saque e massacre do nosso tão amado país.

Como poeta, em meio a tantos artistas, meu modo de confrontar isso tudo, mostrar minha indignação é pela palavra, na esperança de que se despertar uma só consciência que seja, meu blog, meus livros, minhas postagens em redes sociais, meus versos e prosas já terão tido uma razão de ser.

Temos de protestar, nos indignar, sair da letargia, chamar as pessoas pra discutir isso. Tudo nos pertence e não podemos simplesmente cruzar os braços, calar a boca, enterrar a cara no buraco pra ter a ilusão de que não existe o perigo.

              
              Vaiatolá


Onde já se viu civil agindo como militar tentando limitar direitos dito e feito juiz soltando liminar pra eliminar o povo de vez nesse vil xadrez de um lado o rei da falsa lei o cavalo da Inquisição do outro lado só peão desarmado contra os desalmados e cadê a INDIG-NAÇÃO o clamor? Só o surdo estupor? Os escravos e o Senhor a senzala maquiada de sala a Corte comemora e a Morte idem nada de Éden na fila do SUS nem Jesus na causa pra dar uma pausa ou mesmo um basta nessa casta predando a pátria quebrando a cláusula pétrea nada de fugir no escaler não engulamos a lama do salve-se quem puder!

                            

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Agruras de poeta




Poetar pode parecer pra muitos um jardim de rosas, um alegre e sereno versejar onde tudo esplende e recende a incenso ao som da lira. Nem sempre é assim. O poeta, não raro, briga com seu texto, em última instância consigo mesmo e se confronta com seus crivos estéticos, políticos, filosóficos. Ele esgrima - haja ou não rima – as palavras, oscila temáticas, joga no mar semântico como um náufrago sem boia, transborda temendo os paroxismos, se contém, temendo cercear seu espírito de livre criador. 

E entre estrofes, métricas, forma e fundo, se angustia, devaneia, cai em torpor, fala sozinho, obcecado, esculpindo, lixando, zeloso de que o texto não se rebele e prossiga sozinho, abandonando o autor.

Poetar é imaginar, desejar, gestar e por fim parir, nem sempre rápido, e quase nunca sem riscos. Inspiração e transpiração. Quem vê o poema pronto nem desconfia o quanto ele fez seu agora ex-dono, tão tonto.


De ré 

Na escuridão um tema um embrião de poema te ronda em ondas de açoite e no pernoite na tua mente nessa noite quente sem brisa te avisa que se quer perfeito mas não tem jeito você não dá conta a cabeça nunca pronta pra perfeição então o poema quebra algemas se requebra em dilemas vai nascendo a fórceps step by step antes que se estrepe prematuro e no escuro berra qual Macunaíma recoberto de rimas e metafórica placenta solta fogo pelas ventas faz que inventa sentidos de silêncio e ruídos na aurora vem pra fora conhecer o mundo e seu furor desavisado nesse jogo de dados com pavor deseja fundo escapulir desse cenário tão vário voltar a ser só esboço do sonho desse moço da fugidia alquimia da razão emoção inspiração perfeição que ele queria e o poema problema disse não