Importante

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sábado, 20 de outubro de 2018

Razão e sensibilidade


Por mais arrebatadora uma vivência, por mais passional que o poeta seja, queira transpor isso pra escrita, ele ainda assim está diante do seu poema em construção. E um poema por despojado que pretenda ser, singelo, comovido, não deverá prescindir de alguma arquitetura, do percurso que ele traça até seu desfecho. E isso não se faz exilando-se a razão

Essa é uma discussão recorrente na poesia. Há quem defenda intransigente o império da total espontaneidade sem amarras, liberdade total na canalização do pensamento que deságua no texto final. Há quem preconize o oposto. Que poesia é carpintaria, trabalho árduo, quebra-cabeça meticulosamente montado a serviço de mensagem, conceito, imagem, questão.

Como tenho o atrevimento de pressupor alguma perspicácia da minha parte, prefiro a permanente tentativa de experimentar variadas proporções desses dois elementos, já que não são excludentes um do outro. A matemática adquire outros paradigmas no terreno poético e 100% não necessariamente se constitui do somatório aritmético lógico. A alquimia que a poesia proporciona leva doses maciças de razão e emoção a ocupar o mesmo espaço.

Processos mais racionais de escrita não precisam roubar espaço da emoção. Ela pode e deve estar presente, pois é ela que gera empatia com o leitor. Por outro lado, textos carregados de emoção não precisam abrir mão de uma boa construção, porque isso será veículo mais eficaz pra intensidade que a alma do poeta queira fazer perpassar no seu poema.


Quanto


Quero teu assalto
Arrebatamento
Quero teu mar alto
Todo o teu tormento

Quero-te incauto
Brasa e filamento
sendo o meu arauto
meu alumbramento

No colchão de fausto
dos meus aposentos
Mesmo no asfalto
No duro cimento

Teu banquete lauto
Meu contentamento
Tu ouvindo alto
os meus pensamentos

Quando a mim me falto
Sejas meu unguento
Leva-me pro salto
do eterno momento


Assistam o vídeo baseado no meu livro: http://www.youtube.com/watch?v=RwY7bTSfqpc

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Os porquês


Com a devida vênia aos meus prezados leitores, o poeta dará lugar, momentaneamente, aos prosador


Estou recomendando o voto em Bolsonaro para:

Você que aprova a discriminação e violência contra negros, mulheres, homossexuais, índios, vote em Bolsonaro por uma questão de identificação.

Você que despreza a cultura, a arte e os artistas, é a favor da extinção do Ministério da Cultura e do Meio Ambiente e apoia a censura aos meios de comunicação. E, ainda, não vê com bons olhos a liberdade de expressão para todos, vote em Bolsonaro por uma questão de simpatia com essas ideias dele.

Você que não vê nenhum problema em que um candidato a Presidente da República faça clara e pública apologia à tortura e enfatize que um dos principais torturadores do país, de triste memória, é seu ídolo, vote então em Bolsonaro, que provavelmente é seu ídolo.

Você que apoia a mudança na Constituição para dar o direito de porte de arma à toda a população maior de idade e com isso fomentar ainda mais a violência, além de proporcionar um lucro imenso e sem precedentes a indústria armamentista, vote em Bolsonaro por uma questão de afinidade com o recrudescimento da violência.

Você concorda com as desculpas esfarrapadas do Jair (ou Nãoir?) pra não ir aos debates, mostrando que não tem preparo e menospreza a discussão democrática de ideias e propostas, vote em Bolsonaro por uma questão de alinhamento  com o pensamento antidemocrático.

Para os que não se sentem encaixados nesses casos, recomendo o voto em Haddad, porque Haindda dá!

                                                 


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Livre


                                                                                 

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Avenida esperança


                     
 
  
   Descompressão




Com baixa estima, e opressão alta, o paciente com a infinita e aflita paciência esgotada, o esgoto a céu aberto, proselitismo do esperto, a pátria que te pariu, o comprimido que sossega o oprimido, anestesia e vinha sem prumo e rumo sem norte sem direção contando só com a sorte e a embargada oração num mato sem cachorro os gritos de socorro a que ninguém acode sacode a madrugada, rajada sem destino, rotina dos desatinos, nação à deriva, que a esperança sobreviva ao salve-se quem puder, que uma mulher outra mulher empodere e outra e outra e nunca mais pérolas presas em ostras. Se a placa diz: “beco sem saída”, derrubemos o muro pr’uma larga avenida.


                                                                               

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

O assédio do tédio


              
              Na zona

O cúmulo do tédio, um túmulo, desassédio, sem nenhum remédio, um escafandrista em passos pesados no fundo do mundo aquático, tédio anti-catártico, as horas fazendo o agora infinito, o atrito vagaroso do trem nos trilhos, estagnação, sessão de hipnose, overdose de nadas, vento de proa, velas rasgadas, barco que flutua à toa. A mesmice. Quem disse a crendice de que é confortável a zona de conforto? Só pra um morto. A zona de conforto é uma zona ordenada que faz tudo previsível e pronto, chega a um ponto em que se torna terrível, café com água morna, picolé de norma, é ou não é? Tédio é a rua cheia de prédio igual, sempre o mesmo trajeto e o pseudo afeto que simula abraços mas nem chega perto. Antes a adrenalina das paixões que as prisões de um tédio que rumina.

                       


sábado, 8 de setembro de 2018

De liberdades e prisões


               
                Livramentos


Homem livre arquétipo universal Bem e Mal embate maniqueísta liberdade que se conquista liberdade que o outro outorga prisão com grades e muros graduais algemas invisíveis interiores prender-se a encarcerar-se em armaduras ditaduras opressões apegos medos segregação é prisão censura descultura tudo são prisões senões anões em terra de gigantes grilhões que não basta serrar errar o alvo pensar estar a salvo embaixo do tapete que não voa nunca nunca estar à toa é canoa furada que aprisiona liberdade da persona indivíduo que não divide aprisionamento  coletivo crivo do outro que cerceia homem livre livros lidos todos os sentidos Mandela Gandhi Luther King Zumbi todos aqui em essência presença intensa a inspirar e expirar liberdade vem de dentro sai do centro corre o mundo vai fundo corre por rios e ruas grita que a vida é bonita a mãe Terra berra pros seus filhos que a guerra é autodestruição e  não a ela King Zumbi Ghandi Mandela fundir arte e ciência convergência do ser livre dentro e fora será a nova aurora do Homem.