Importante

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sexta-feira, 26 de maio de 2017

(San)idades


                                     Deidades

 A sextessência da quartaidade é a anticiência da desidade sem vaidade vai dar de 10 a 0 no lero lero do zelador das normas em boa forma das judites com gargalhite aguda e os 50 tons de ranzinza crônico histriônico feito Buster Keaton a sextessência é a meninice equipada com milanos de estrada desapego de tudo e um ludo assim do nada inesperada folia por um simples novo dia leveza indefesa que nem liga pras fraquezas da mente e da matéria é finalmente estar viva livre das expectativas o ziriguidum da sextessência é a quintessência mais um é despir-se da tenência sem calça sem causa nem consequência voar fora da asa e de repente perguntar: que ano é hoje? E morrer de tanto rir


sexta-feira, 12 de maio de 2017

Mudançando

                    




Cansou trocou as alergias pelas alegrias os miasmas por orgasmos a catarata por sorvete de nata sem fé por café tensão por tesão o inferno do terno pelo em pelo pós-moderno  desconstrução em construção encontros são enquantos de encantos nos cantos e centros dentro descansou que é cansar-se de se cansar e pois sim pôs-se a causar desenclausurar seus desejos adejos de asas céu profundo nuvens rasas Îcaro arremete Prometeu só promete fim de tarde o sol arde a nuca antes tarde do que nunca cansou-se do trivial do frugal de guinadas de trezensessenta graus não quis ser mais um clone de si e sim um ciclone em frenesi não o fim mas o até que enfim


                            
                                        

sábado, 6 de maio de 2017

Rima e solução





 Rima e solução


Lucidoidos têm lampejos beijos de língua universal particular nas partículas de estrelas lambidas lambda farto flerte com o inesperado inoperado a pós-agonia da cosmogonia lucidoidos têm lampejos feito vagalumes que comem legumes veganos luz de distância em qualquer instância lucidoidos são assim um nanquim indelével que tatua mentes e corações e os faz resilientes insurgentes convergentes bom ver gente beber nessa fonte que verte luz e subverte tabus lucidoidos piram inspiram saltos sobressaltos quânticos cânticos de transgressão às normas mornas o martelo de Nietzsche Gentileza e os grafites Einstein mudando o tom de Newton Bispo do Rosário e seu mundo indumentário lucidoidos mudam o mundo esse mundão o chamam de Raimundo e inventam a solução



sábado, 29 de abril de 2017

Strip crise



Strip crise


Se o ócio criativo vira um sócio vingativo os demônios fazem motim os hormônios acham ruim o Arlequim vira Pierrô que horror ao som de um calipso chega o Apocalipse ipsis literis a tela em branco encalha no barranco lento feito lesma na mesma tento o fomento do texto conciso mas pro meu prejuízo  só despertaria riso tosco bilhete em falsete fora do tom jobiniano ou não então apelo feio pro termo do meio e busco o leve breve mas pra meu tédio sai um arremedo de bula de remédio tamanho médio daí parto com dor prum texto extenso sem senso de humor profundo abissal e afundo em areia movediça carniça pra urubu vai tomar café de jacu! pra ver se volta a inspiração que a piração já tá me deixando louco e mais um pouco eu desisto desinsisto entrego os pontos me retiro dou-me um tiro me aposento vou pra dentro ah já sei tive uma ideia vou parodiar Medeia mas vai que todo mundo odeia peraí melhor reiventar o Saci mas com 3 pernas não acho que não é meu dia ou então meu dia chegou ou sei lá tudo no fundo é poesia e amanhã é outro dia tosca desculpa pra crise ainda que eu relativize e eu fazendo strip tease bem na frente do leitor é muito amor que nem me cobra então tô fechado pra obras prometendo novas obras  não tirei leite da pedra a coisa não flui já tô aqui falando merda fui!

                                      

sábado, 22 de abril de 2017

Palhaçada

Sempre tive fascínio pelo circo e em particular pelos palhaços.


Palhaços povoam o imaginário de todo mundo.

Eles representam nosso lado iconoclasta, transgressor e anárquico.

O bobo da corte era uma espécie de canal tolerado que servia de válvula de escape do povo.

Os palhaços nos fazem rir. Rir de nós mesmos.

Palhaço é o menino que cresceu e continua menino, traquinas, lúdico, sem planos, sem neuroses nem medo da vida.

Charlie Chaplin foi um dos grandes palhaços da História. Não por acaso veio do circo. Encarnava, a seu modo super peculiar, a figura do “clown”, melancólica e poética. Chaplin, com seu Carlitos, encarnou esse arquétipo e enterneceu e fez rir a muitos e sua arte permanece viva com toda a sua universalidade. Chaplin foi um grande poeta sem palavras.

Como Carlitos, os palhaços sonham, se frustram, apanham, questionam, se atrevem. Mas no fundo não levam nada muito a sério. Sua irreverência nos assusta, mas nos redime. Estão nos picadeiros a nos dizer de forma explícita, mas também subjacente, que apesar de tudo a vida e a gente são pra ser felizes.


O espetáculo acaba e levamos conosco o riso e a leveza que acalenta a alma.



Na lona


No maior estardalhaço
Teatral espalhafato
O mais sério dos palhaços
arma o circo e monta o ato

E cidade após cidade
O feroz sobrevivente
mente verdadeiramente
as mentiras e as verdades

Delicado, às vezes rude
Nos imita e nos ilude
nesse jogo de espelhos

Rege a banda e chuta a bunda
Na tristeza mais profunda
faz-nos rir, velhos fedelhos


sábado, 15 de abril de 2017

Areia movediça

Não tenho (e nem acho que se deveria ter) a pretensão de ditar

regras e criar ou perpetuar normas engessantes.

Mas mesmo a indulgência tem limites.

O erotismo na arte. Com frequência se constata a areia movediça em que essa associação se converte. Perigos potenciais que rondam os criadores, à espera e espreita de um instante de distração.

Erotismo é tema oportuno, necessário, mas também é traiçoeiro e requer permanente foco no que escape aos clichês, fuja do grosseiro, contorne o piegas (sim, não só nos poemas de amor!) e passe ao largo do sacralizante.

Nunca é demais lembrar que erotismo e sexo não são sinônimos.

Texto erótico pode sim, descrever situações cotidianas, (fugindo assim do permanentemente etéreo e ou sacralizante, mas não ser banalizante na forma e na narrativa..

Erotismo não precisa redundar necessariamente em ares sérios. O lúdico é bem-vindo.

Texto erótico pode sim, ter momentos chulos, mas não a ponto de converter um texto numa pichação em banheiro público.

Bom gosto, refinamento, a fronteira do rude com o delicado, são temas discutíveis e até certo ponto subjetivos. A meu ver a mistura disso tudo e não o isolamento em elementos estanques é o que costuma desaguar no melhor que a arte erótica pode nos oferecer.

imagem: Vee Speers