Importante

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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Poeticamente


Mente. A mente do poeta mente o que ele crê. A gente lê e dá fé mesmo quando é fundo e não dá pé. Ele aborda o mundo e pinta e borda e não é cheque sem fundo, é moleque e profundo e pro fundo nos leva e enleva. A verdade do poeta inquieto esteta é de olhar lúcido pro real e como tal ele desmonta paradigmas e monta tufões bufões e diz e rediz feliz ou infeliz de modos sem medos que só a poesia, essa epifania logra expressar ao espessar o real ou refiná-lo até o talo. Ao mentir suas verdades, seus alardes, ele lapida brutos diamantes, inventa fortuitos amantes e ri de si menestrel trovador inferno e céu, ódio e amor, que a vida tem mais de um viés, muitos ares e rufares de tambor de tenso e manso amor e mesmo que a cabeça se esqueça ainda restam os pés pra caminhar e mãos do gesto presto de acarinhar e escrever.


sábado, 8 de julho de 2017

Lei que manda


Estado grave

Grave isso, gente: a Lei da Gravidade é uma das leis regentes do Universo. Tanto que quando converso com algum prodígio o queixo cai. Por que? A gravidade está lá pra estalar o malar que arria o queixo e nem adianta queixa. O coque da gueixa se não bem preso desaba e a gueixa acaba.

Pessoas, canoas, mares, colares, lares, matas, gravatas, tudo e todos se sujeitam à lei, plebeu ou rei, que sobem quando pulam ou decolam, mas rolam e deitam, pois tudo o que sobe desce, mesmo os elevadores que saindo da terra térreo precisam descer pra poder subir de novo. 


Foguetes, Ícaros, balões, desafiam a gravidade, mas isso não permanece e o balão desce, o avião idem na atração fatal gravitacional orbital sem nem um avo de desagravo. Os anéis de Saturno, o vaso chinês que se desagrega, tudo se rende e se entrega à força inteira que esculpe as cachoeiras e faz da Lua nossa eterna companheira.

                                      

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Facetas


Os normalistas

Normalidade é fachada, é a fechada no trânsito, é flechada equivocada de Cupido, é o discurso cuspido pra tapar sol com a peneira, é vatapá sem dendê, escolher no unidunitê. Vou te contar um segredo, tenho medo dos normais demais, fico de pé atrás. Somos nós uns psicóticos anedóticos cheios de nós na cabeça, mas sabemos ter disfarces como o do bom vizinho que dissimula e faz cafuné no menininho mas à noite com ar de gula estrangula seu passarinho. Tem louco que parece normal, com cara de vitral angelical, mas tem lúcido genial que tem ideias tidas como loucas, não poucas e passa de estigma a fundador de paradigma. Muito normal é máscara social. O normal.  genuíno, o na intimidade, não o de fachada, mas o de cara lavada, deveria dizer a verdade, não ligar pra idade e apoiar as liberdades, mas este ê o normal ideal idealizado, o dito normal é o normal consagrado ensaiado do sorriso de gesso e que acha que tudo tem seu preço.

No dia a dia chega a ser normal tanto cinismo e hipocrisia. No Carnaval vou sair de fantasia de normal, de terno e bravata. Entre o que é normal pra uns e pra outros, sejamos normais, mas jamais escrotos.

                                                                



sexta-feira, 23 de junho de 2017

Potência X onipotência


Cais de levantar

A vitória é de quem conta monta a História, os laureis, os tonéis, os marcos na memória, as honrarias, homenagens e as pilhagens do heroico egoico vencedor espoliador e ao vencido a humilhação, o esquecimento, a erosão, o banimento, a excomunhão. Vitória da Santa Inquisição, poder paralelo queimando bruxas pé de chinelo e homens das Ciências, quanta onipotência, que renegaram seu saber pra poder viver. O poder nos regula e tem gula. Dúvidas? Dívidas? Vide bula. Sem cota, nos derrota e vira as costas, amordaça, enforca na praça em nome de Deus, temporada de caça aos plebeus.

Pro planeta Terra, sendo de guerra, derrota e vitória são a mesma escória, mas tem também as vitórias redentoras de Ghandi e Mandela, duas grandes almas a vencer a opressão sem armas letais armados só do coração e paz. Quem sabe um dia a utopia se faz real e a vitória seja apenas a glória das ondas quebrando no cais sem quebrar o cais.

                                      

sábado, 17 de junho de 2017

Busca brusca



                                  Famintos

Procura nos cura de que? Procura nos estrutura, se não somos buscadores não somos senhores do destino, nos sobra o desatino. Busca-se e mata-se a cobra e mostra-se o pau, jornada desenfreada atrás do Graal pessoal. Nada buscar, nem o luar nem o espelho nos faz fedelhos sem metas, sagitários centauros sem setas? Busca do ouro, do tesouro diamante, busca do perfeito amante, busca do Eu. busca de Deus, só somos humanos se buscamos? "Coitada, não busca nada..." busca da verdade, busca à novidade, busca de cometas, toda busca que cometas será louvada, google humano buscador buscaprazer, no cardápio insano da fome de viver.

                                                        

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Todo músculo que sente

                     

                            Tocatta sem fuga


Infarto é o coração farto da pressão, que fibrila de entrar no fim da longa fila, de bater em vão e apanhar outro tantão. A taquicardia que ardia agora adia o dia quando é noite e a noite quando é dia. Noite e dia esse tambor soando alto por teimosia, afã do amor de sobressalto, assalto à mão amada, estouro da manada, na montanha russa sem ser no parque, as fuças no vento, a fúria dos elementos, adrenalina, sina de quem ama e se derrama, humano lança-chamas da autocombustão, paixão é amor só que amor extremado acelerado sexuado ou não. E o coração, como fica? Como um Guernica de Picasso, amor em pedaços, ou O beijo de Klimt, amor constituinte e com requintes. Coração, músculo, corpúsculo que ama medroso, corajoso em Alfa, Beta e Gama, do deserto do Atacama às avenidas de Tóquio, toque-o fundo e o mundo saberá que ele te chama.




sábado, 3 de junho de 2017

Guerra em paz


De sol a sol

Trave entrave pro artilheiro sorte do goleiro a defesa trava épica batalha contra o ataque e quando o trava sai no contra-ataque guerra de araque a de verdade é no Iraque as bombas do atacante insinuante só balançam a rede a saciar a grande sede da imensa intensa torcida ela urra exigente que sua valente e inclemente tropa venha veja e vença e dê uma surra no inimigo

 As armas desse combate são o chute e o drible e a equipe que mais a domina essas artes circenses guerreiras costuma ser a primeira na disputa e na luta vale quase tudo até chamar o juiz de filho da fruta

Ao vencedor que vence a dor cabe a delícia do troféu de campeão e a paixão começa tudo outra vez o perdedor é o freguês e promete dar o troco fica todo mundo louco olha que golaço um estranho te dá um abraço nessa ilusão de Quimera até o planeta é uma esfera que gira de sol a sol codinome futebol