Importante

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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

sábado, 3 de novembro de 2018

Transformações



Nos domínios do poético, território da mais rasgada subjetividade, metáforas, antíteses, paradoxos e tantas outras figuras de linguagem abastecem de imagens a mente de quem escreve e de quem lê.

Deste modo a metade superior de um copo meio cheio de água, pode não ser vista como vazia e sim cheia de ar, ou de mágoa, de Deus, de placidez, enfim, do que a imaginação propuser e instigar.

O preto e branco, a ausência de cor, pode representar frieza, solidão, mas também pode sugerir reflexão ou mesmo concretude. Já uma profusão de cores exuberante tanto pode propor tensão como alegria e dependendo do contexto, até tragédia e morte.

Subjetividade e a carpintaria poética de um cenário e contexto levam a esses resultados contrastantes. Em Vênus, soneto que depois virou a letra de um blues (!), o foco está na transição do preto e branco para a cor, dando relevo simbólico ao advento do amor e sua consequente transcendência, em sua reversão ao branco, síntese da totalidade pura e ínteira.


Vênus

Tu arco-íris e eu a inundar-me
Em luminosas caleidoscopias
Vivo a trocar as noites pelos dias
Roubas-me o sono, acionas meus alarmes

Em preto-e-branco construí meu mundo
De muitos cinzas pude colori-lo
Agora vens, fractal Vênus de Milo
Trazer-me cor e em cor então me afundo

Cada emoção revela o seu matiz
E pouco a pouco o pulso volta à vida
impulsionando a máquina motriz

Sorvo-te seiva multicolorida
E emano luz que jorra em chafariz
Sou prisma a dar à luz cor revertida


sábado, 27 de outubro de 2018

Biotônicas

Volta e meia me defronto com o que chamo de poesia átona.


As palavras são compostas de sílabas tônicas e átonas. Elas são classificadas assim por comparação. Ca-sa: a sílaba forte é ca e a que sobra, mais fraca, é sa, sílaba átona. Barbari-da-de: a sílaba da é forte, tônica e todas as outras são átonas, sendo que bar é um meio termo, subtônica. Isso é relevante na métrica poética.

A chamada poesia de versos livres, que ao contrário das formas fixas, desconsidera estrofes, rimas, métricas e tal, como o termo já expressa, é livre e certamente a de maior produção e não raro o que chamo de poemas átonos estão lá pra ser lidos.

Poema átono é o que tem excessiva incidência de palavras polissílabas, que têm muitas sílabas átonas pra apenas uma tônica, ou palavras di e trissílabas, cuja sílaba tônica não é tão forte. Disso costuma resultar um texto frouxo e de pouca expressão, do ponto de vista do som e a sonoridade, a musicalidade das palavras é bastante importante.

Para o bem do poema, seja livre ou de formas fixas, deveria sempre ser considerado o uso de palavras oxítonas, principalmente no fim do verso e também das palavras monossílabas e proparoxítonas. Depois que se introjeta a importância disso pra boa sonoridade de um texto, instintivamente o poeta introduz palavras assim e a coisa tende a não soar forçada.

As palavras oxítonas (trovão, farol, plural, carmim, paiol, engasgou, confusão), com sua tônica no fim, soam fortes. Assim como também as monossílabas, que por terem uma sílaba só, (com, vão, sim, dom, sol, sal), são todas necessariamente tônicas. Proparoxítonas também soam fortes, com sua tônica seguida de duas átonas (flâmula, arquétipo, física, tímida, prática).

Pensando nisso, a título de exercício e com espírito lúdico, escrevi alguns sonetos que só têm palavras monossílabas e também só com palavras proparoxítonas. Cito aqui a primeira estrofe de um desses, chamado “No fim do mar”, uma radicalização visando a ressaltar o impacto sonoro do uso desses tipos de palavras.

No fim do mar

Ver o sol se pôr no fim do mar
Luz que flui na cor da flor mais sã
diz por si que a dor não é tão vã
Já nos traz um triz a mais de ar

Poesia como linguagem, não importa que tendência siga, que vertente e influências, é composta de significado e significante, conteúdo e forma e a forma conjuga ritmo e sonoridade. Tudo isso junto nos co-move. E a tonicidade nas palavras que habitam o poema é de preciosa ajuda para que nossos textos causem essa comoção necessária, sem a qual a poesia seria meio inócua.






sábado, 20 de outubro de 2018

Razão e sensibilidade


Por mais arrebatadora uma vivência, por mais passional que o poeta seja, queira transpor isso pra escrita, ele ainda assim está diante do seu poema em construção. E um poema por despojado que pretenda ser, singelo, comovido, não deverá prescindir de alguma arquitetura, do percurso que ele traça até seu desfecho. E isso não se faz exilando-se a razão

Essa é uma discussão recorrente na poesia. Há quem defenda intransigente o império da total espontaneidade sem amarras, liberdade total na canalização do pensamento que deságua no texto final. Há quem preconize o oposto. Que poesia é carpintaria, trabalho árduo, quebra-cabeça meticulosamente montado a serviço de mensagem, conceito, imagem, questão.

Como tenho o atrevimento de pressupor alguma perspicácia da minha parte, prefiro a permanente tentativa de experimentar variadas proporções desses dois elementos, já que não são excludentes um do outro. A matemática adquire outros paradigmas no terreno poético e 100% não necessariamente se constitui do somatório aritmético lógico. A alquimia que a poesia proporciona leva doses maciças de razão e emoção a ocupar o mesmo espaço.

Processos mais racionais de escrita não precisam roubar espaço da emoção. Ela pode e deve estar presente, pois é ela que gera empatia com o leitor. Por outro lado, textos carregados de emoção não precisam abrir mão de uma boa construção, porque isso será veículo mais eficaz pra intensidade que a alma do poeta queira fazer perpassar no seu poema.


Quanto


Quero teu assalto
Arrebatamento
Quero teu mar alto
Todo o teu tormento

Quero-te incauto
Brasa e filamento
sendo o meu arauto
meu alumbramento

No colchão de fausto
dos meus aposentos
Mesmo no asfalto
No duro cimento

Teu banquete lauto
Meu contentamento
Tu ouvindo alto
os meus pensamentos

Quando a mim me falto
Sejas meu unguento
Leva-me pro salto
do eterno momento


Assistam o vídeo baseado no meu livro: http://www.youtube.com/watch?v=RwY7bTSfqpc

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Os porquês


Com a devida vênia aos meus prezados leitores, o poeta dará lugar, momentaneamente, aos prosador


Estou recomendando o voto em Bolsonaro para:

Você que aprova a discriminação e violência contra negros, mulheres, homossexuais, índios, vote em Bolsonaro por uma questão de identificação.

Você que despreza a cultura, a arte e os artistas, é a favor da extinção do Ministério da Cultura e do Meio Ambiente e apoia a censura aos meios de comunicação. E, ainda, não vê com bons olhos a liberdade de expressão para todos, vote em Bolsonaro por uma questão de simpatia com essas ideias dele.

Você que não vê nenhum problema em que um candidato a Presidente da República faça clara e pública apologia à tortura e enfatize que um dos principais torturadores do país, de triste memória, é seu ídolo, vote então em Bolsonaro, que provavelmente é seu ídolo.

Você que apoia a mudança na Constituição para dar o direito de porte de arma à toda a população maior de idade e com isso fomentar ainda mais a violência, além de proporcionar um lucro imenso e sem precedentes a indústria armamentista, vote em Bolsonaro por uma questão de afinidade com o recrudescimento da violência.

Você concorda com as desculpas esfarrapadas do Jair (ou Nãoir?) pra não ir aos debates, mostrando que não tem preparo e menospreza a discussão democrática de ideias e propostas, vote em Bolsonaro por uma questão de alinhamento  com o pensamento antidemocrático.

Para os que não se sentem encaixados nesses casos, recomendo o voto em Haddad, porque Haindda dá!

                                                 


sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Livre