Cansou
trocou as alergias pelas alegrias os miasmas por orgasmos a catarata por
sorvete de nata sem fé por café tensão por tesão o inferno do terno pelo em
pelo pós-moderno desconstrução em
construção encontros são enquantos de encantos nos cantos e centros dentro
descansou que é cansar-se de se cansar e pois sim pôs-se a causar
desenclausurar seus desejos adejos de asas céu profundo nuvens rasas Îcaro
arremete Prometeu só promete fim de tarde o sol arde a nuca antes tarde do que
nunca cansou-se do trivial do frugal de guinadas de trezensessenta graus não
quis ser mais um clone de si e sim um ciclone em frenesi não o fim mas o até
que enfim
Importante
Todos os textos do blog, em prosa e verso, a não ser quando creditado o autor, são de minha autoria e para serem usados de alguma forma, necessitam de prévia autorização.
sexta-feira, 12 de maio de 2017
sábado, 6 de maio de 2017
Rima e solução
Rima e solução
Lucidoidos têm
lampejos beijos de língua universal particular nas partículas de estrelas
lambidas lambda farto flerte com o inesperado inoperado a pós-agonia da
cosmogonia lucidoidos têm lampejos feito vagalumes que comem legumes veganos
luz de distância em qualquer instância lucidoidos são assim um nanquim
indelével que tatua mentes e corações e os faz resilientes insurgentes
convergentes bom ver gente beber nessa fonte que verte luz e subverte tabus
lucidoidos piram inspiram saltos sobressaltos quânticos cânticos de
transgressão às normas mornas o martelo de Nietzsche Gentileza e os grafites
Einstein mudando o tom de Newton Bispo do Rosário e seu mundo indumentário
lucidoidos mudam o mundo esse mundão o chamam de Raimundo e inventam a solução
sábado, 29 de abril de 2017
Strip crise
Strip
crise
Se
o ócio criativo vira um sócio vingativo os demônios fazem motim os hormônios
acham ruim o Arlequim vira Pierrô que horror ao som de um calipso chega o
Apocalipse ipsis literis a tela em branco encalha no barranco lento feito lesma
na mesma tento o fomento do texto conciso mas pro meu prejuízo só despertaria riso tosco bilhete em falsete
fora do tom jobiniano ou não então apelo feio pro termo do meio e busco o leve
breve mas pra meu tédio sai um arremedo de bula de remédio tamanho médio daí
parto com dor prum texto extenso sem senso de humor profundo abissal e afundo
em areia movediça carniça pra urubu vai tomar café de jacu! pra ver se volta a
inspiração que a piração já tá me deixando louco e mais um pouco eu desisto desinsisto
entrego os pontos me retiro dou-me um tiro me aposento vou pra dentro ah já sei
tive uma ideia vou parodiar Medeia mas vai que todo mundo odeia peraí melhor
reiventar o Saci mas com 3 pernas não acho que não é meu dia ou então meu dia
chegou ou sei lá tudo no fundo é poesia e amanhã é outro dia tosca desculpa pra
crise ainda que eu relativize e eu fazendo strip tease bem na frente do leitor
é muito amor que nem me cobra então tô fechado pra obras prometendo novas
obras não tirei leite da pedra a coisa não
flui já tô aqui falando merda fui!
sábado, 22 de abril de 2017
Palhaçada
Sempre tive fascínio pelo circo e em particular
pelos palhaços.
Palhaços povoam o imaginário de todo mundo.
Eles representam nosso lado iconoclasta,
transgressor e anárquico.
O bobo da corte era uma espécie de canal tolerado
que servia de válvula de escape do povo.
Os palhaços nos fazem rir. Rir de nós mesmos.
Palhaço é o menino que cresceu e continua menino,
traquinas, lúdico, sem planos, sem neuroses nem medo da vida.
Charlie Chaplin foi um dos grandes palhaços da
História. Não por acaso veio do circo. Encarnava, a seu modo super peculiar, a
figura do “clown”, melancólica e poética. Chaplin, com seu Carlitos, encarnou
esse arquétipo e enterneceu e fez rir a muitos e sua arte permanece viva com
toda a sua universalidade. Chaplin foi um grande poeta sem palavras.
Como Carlitos, os palhaços sonham, se frustram,
apanham, questionam, se atrevem. Mas no fundo não levam nada muito a sério. Sua
irreverência nos assusta, mas nos redime. Estão nos picadeiros a nos dizer de
forma explícita, mas também subjacente, que apesar de tudo a vida e a gente são
pra ser felizes.
O espetáculo acaba e levamos conosco o riso e a leveza
que acalenta a alma.
Na lona
No maior estardalhaço
Teatral espalhafato
O mais sério dos palhaços
arma o circo e monta o ato
E cidade após cidade
O feroz sobrevivente
mente verdadeiramente
as mentiras e as verdades
Delicado, às vezes rude
Nos imita e nos ilude
nesse jogo de espelhos
Rege a banda e chuta a bunda
Na tristeza mais profunda
faz-nos rir, velhos fedelhos
sábado, 15 de abril de 2017
Areia movediça
regras e criar ou
perpetuar normas engessantes.
Mas
mesmo a indulgência tem limites.
O
erotismo na arte. Com frequência se constata a areia movediça em que essa
associação se converte. Perigos potenciais que rondam os criadores, à espera e
espreita de um instante de distração.
Erotismo
é tema oportuno, necessário, mas também é traiçoeiro e requer permanente foco
no que escape aos clichês, fuja do grosseiro, contorne o piegas (sim, não só
nos poemas de amor!) e passe ao largo do sacralizante.
Nunca
é demais lembrar que erotismo e sexo não são sinônimos.
Texto
erótico pode sim, descrever situações cotidianas, (fugindo assim do
permanentemente etéreo e ou sacralizante, mas não ser banalizante na forma e na
narrativa..
Erotismo
não precisa redundar necessariamente em ares sérios. O lúdico é bem-vindo.
Texto
erótico pode sim, ter momentos chulos, mas não a ponto de converter um texto
numa pichação em banheiro público.
Bom
gosto, refinamento, a fronteira do rude com o delicado, são temas discutíveis e
até certo ponto subjetivos. A meu ver a mistura disso tudo e não o isolamento
em elementos estanques é o que costuma desaguar no melhor que a arte erótica
pode nos oferecer.
imagem: Vee Speers
sábado, 8 de abril de 2017
Sem limites.com?
O
artista é, antes de mais nada, um cidadão, com suas consequentes interações e
implicações. E como cidadão que é, repercute e reverbera fatos, sentimentos,
sonhos, perplexidades, alegrias e tristezas, sombra e luz, desesperos e
alentos.
Artistas e não artistas, dicotomicamente são
diferentes e semelhantes. O artista e a arte trafegam entre limites. Não fosse
assim, que impacto a arte teria, ou seja, o que ela traria de contribuição para
o pensar e sentir a vida e o mundo? Cabe ao artista não só exaltar as belezas,
de certa forma as confirmando, mas também provocar, tirar as pessoas de sua
zona de conforto, inspirá-las. Sem este mínimo de atrevimento, a arte se
reduziria a mero acessório e enfeite.
Mas
dar livre vazão a essas ousadias é salvo-conduto para um proselitismo
maniqueísta, por exemplo? Arte e artista são livres a ponto de propagar ódio,
violência, preconceito e discriminação?
Particularmente penso que causa e efeito não
devem ser confundidos. O veículo empregado não tem “culpa” e qualquer um pode se
escudar por trás da arte para disseminar suas ideias e ideais de ódio e
violência, assim como pode optar pelo simples discurso direto sem veleidades
pseudoartísticas.
O
artista mostra saúde quando não se omite, quando toma partido e não se
apresenta indiferente a causas e questões particulares e globais. Mas a arte
agradece quando ainda assim não faz juízos de valor. Garcia Lorca e Maiacovski
são exemplos lapidares disso.
O
artista é um ser social e quem vai estabelecer e mensurar limites à sua
expressão, além da sua própria consciência, serão seus pares e fruidores, seja
pelo aplauso e corroboração, seja pela rejeição e repúdio.
Aí
se abre uma delicada discussão sobre a legitimidade (ou sua negação) da censura
e a liberdade de expressão.
Noturno
Um sino sem seu badalo
balança em total silêncio
Quisera ser um cavalo
Ele não pensa, eu penso
Um vento sopra de lado
Qual caranguejo evasivo
Carregando o mapa errado
Tesouro em vulcão ativo
Rastros na areia desfeitos
Deuses do mar são suspeitos
A lua desvia o olhar
Num centauro convertido
Mando flechas num sentido
Que voltam pra me alvejar
sábado, 1 de abril de 2017
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