Deidades
Importante
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sexta-feira, 26 de maio de 2017
(San)idades
sexta-feira, 19 de maio de 2017
sexta-feira, 12 de maio de 2017
Mudançando
Cansou
trocou as alergias pelas alegrias os miasmas por orgasmos a catarata por
sorvete de nata sem fé por café tensão por tesão o inferno do terno pelo em
pelo pós-moderno desconstrução em
construção encontros são enquantos de encantos nos cantos e centros dentro
descansou que é cansar-se de se cansar e pois sim pôs-se a causar
desenclausurar seus desejos adejos de asas céu profundo nuvens rasas Îcaro
arremete Prometeu só promete fim de tarde o sol arde a nuca antes tarde do que
nunca cansou-se do trivial do frugal de guinadas de trezensessenta graus não
quis ser mais um clone de si e sim um ciclone em frenesi não o fim mas o até
que enfim
sábado, 6 de maio de 2017
Rima e solução
Rima e solução
Lucidoidos têm
lampejos beijos de língua universal particular nas partículas de estrelas
lambidas lambda farto flerte com o inesperado inoperado a pós-agonia da
cosmogonia lucidoidos têm lampejos feito vagalumes que comem legumes veganos
luz de distância em qualquer instância lucidoidos são assim um nanquim
indelével que tatua mentes e corações e os faz resilientes insurgentes
convergentes bom ver gente beber nessa fonte que verte luz e subverte tabus
lucidoidos piram inspiram saltos sobressaltos quânticos cânticos de
transgressão às normas mornas o martelo de Nietzsche Gentileza e os grafites
Einstein mudando o tom de Newton Bispo do Rosário e seu mundo indumentário
lucidoidos mudam o mundo esse mundão o chamam de Raimundo e inventam a solução
sábado, 29 de abril de 2017
Strip crise
Strip
crise
Se
o ócio criativo vira um sócio vingativo os demônios fazem motim os hormônios
acham ruim o Arlequim vira Pierrô que horror ao som de um calipso chega o
Apocalipse ipsis literis a tela em branco encalha no barranco lento feito lesma
na mesma tento o fomento do texto conciso mas pro meu prejuízo só despertaria riso tosco bilhete em falsete
fora do tom jobiniano ou não então apelo feio pro termo do meio e busco o leve
breve mas pra meu tédio sai um arremedo de bula de remédio tamanho médio daí
parto com dor prum texto extenso sem senso de humor profundo abissal e afundo
em areia movediça carniça pra urubu vai tomar café de jacu! pra ver se volta a
inspiração que a piração já tá me deixando louco e mais um pouco eu desisto desinsisto
entrego os pontos me retiro dou-me um tiro me aposento vou pra dentro ah já sei
tive uma ideia vou parodiar Medeia mas vai que todo mundo odeia peraí melhor
reiventar o Saci mas com 3 pernas não acho que não é meu dia ou então meu dia
chegou ou sei lá tudo no fundo é poesia e amanhã é outro dia tosca desculpa pra
crise ainda que eu relativize e eu fazendo strip tease bem na frente do leitor
é muito amor que nem me cobra então tô fechado pra obras prometendo novas
obras não tirei leite da pedra a coisa não
flui já tô aqui falando merda fui!
sábado, 22 de abril de 2017
Palhaçada
Sempre tive fascínio pelo circo e em particular
pelos palhaços.
Palhaços povoam o imaginário de todo mundo.
Eles representam nosso lado iconoclasta,
transgressor e anárquico.
O bobo da corte era uma espécie de canal tolerado
que servia de válvula de escape do povo.
Os palhaços nos fazem rir. Rir de nós mesmos.
Palhaço é o menino que cresceu e continua menino,
traquinas, lúdico, sem planos, sem neuroses nem medo da vida.
Charlie Chaplin foi um dos grandes palhaços da
História. Não por acaso veio do circo. Encarnava, a seu modo super peculiar, a
figura do “clown”, melancólica e poética. Chaplin, com seu Carlitos, encarnou
esse arquétipo e enterneceu e fez rir a muitos e sua arte permanece viva com
toda a sua universalidade. Chaplin foi um grande poeta sem palavras.
Como Carlitos, os palhaços sonham, se frustram,
apanham, questionam, se atrevem. Mas no fundo não levam nada muito a sério. Sua
irreverência nos assusta, mas nos redime. Estão nos picadeiros a nos dizer de
forma explícita, mas também subjacente, que apesar de tudo a vida e a gente são
pra ser felizes.
O espetáculo acaba e levamos conosco o riso e a leveza
que acalenta a alma.
Na lona
No maior estardalhaço
Teatral espalhafato
O mais sério dos palhaços
arma o circo e monta o ato
E cidade após cidade
O feroz sobrevivente
mente verdadeiramente
as mentiras e as verdades
Delicado, às vezes rude
Nos imita e nos ilude
nesse jogo de espelhos
Rege a banda e chuta a bunda
Na tristeza mais profunda
faz-nos rir, velhos fedelhos
sábado, 15 de abril de 2017
Areia movediça
regras e criar ou
perpetuar normas engessantes.
Mas
mesmo a indulgência tem limites.
O
erotismo na arte. Com frequência se constata a areia movediça em que essa
associação se converte. Perigos potenciais que rondam os criadores, à espera e
espreita de um instante de distração.
Erotismo
é tema oportuno, necessário, mas também é traiçoeiro e requer permanente foco
no que escape aos clichês, fuja do grosseiro, contorne o piegas (sim, não só
nos poemas de amor!) e passe ao largo do sacralizante.
Nunca
é demais lembrar que erotismo e sexo não são sinônimos.
Texto
erótico pode sim, descrever situações cotidianas, (fugindo assim do
permanentemente etéreo e ou sacralizante, mas não ser banalizante na forma e na
narrativa..
Erotismo
não precisa redundar necessariamente em ares sérios. O lúdico é bem-vindo.
Texto
erótico pode sim, ter momentos chulos, mas não a ponto de converter um texto
numa pichação em banheiro público.
Bom
gosto, refinamento, a fronteira do rude com o delicado, são temas discutíveis e
até certo ponto subjetivos. A meu ver a mistura disso tudo e não o isolamento
em elementos estanques é o que costuma desaguar no melhor que a arte erótica
pode nos oferecer.
imagem: Vee Speers
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