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quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Razão e sensibilidade


Por mais arrebatadora uma vivência, por mais passional que o poeta seja, queira transpor isso pra escrita, ele ainda assim está diante do seu poema em construção. E um poema por despojado que pretenda ser, singelo, comovido, não deverá prescindir de alguma arquitetura, do percurso que ele traça até seu desfecho. E isso não se faz exilando-se a razão

Essa é uma discussão recorrente na poesia. Há quem defenda intransigente o império da total espontaneidade sem amarras, liberdade total na canalização do pensamento que deságua no texto final. Há quem preconize o oposto. Que poesia é carpintaria, trabalho árduo, quebra-cabeça meticulosamente montado a serviço de mensagem, conceito, imagem, questão.

Como tenho o atrevimento de pressupor alguma perspicácia da minha parte, prefiro a permanente tentativa de experimentar variadas proporções desses dois elementos, já que não são excludentes um do outro. A matemática adquire outros paradigmas no terreno poético e 100% não necessariamente se constitui do somatório aritmético lógico. A alquimia que a poesia proporciona leva doses maciças de razão e emoção a ocupar o mesmo espaço.

Processos mais racionais de escrita não precisam roubar espaço da emoção. Ela pode e deve estar presente, pois é ela que gera empatia com o leitor. Por outro lado, textos carregados de emoção não precisam abrir mão de uma boa construção, porque isso será veículo mais eficaz pra intensidade que a alma do poeta queira fazer perpassar no seu poema.


Quanto


Quero teu assalto
Arrebatamento
Quero teu mar alto
Todo o teu tormento

Quero-te incauto
Brasa e filamento
sendo o meu arauto
meu alumbramento

No colchão de fausto
dos meus aposentos
Mesmo no asfalto
No duro cimento

Teu banquete lauto
Meu contentamento
Tu ouvindo alto
os meus pensamentos

Quando a mim me falto
Sejas meu unguento
Leva-me pro salto
do eterno momento


Assistam o vídeo baseado no meu livro: http://www.youtube.com/watch?v=RwY7bTSfqpc