Importante

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sábado, 18 de março de 2017

sábado, 11 de março de 2017

Etérea matéria


Somos  seres regidos pela dicotomia corporal/mental, sensação/sentimento, matéria/espírito.

A angústia predomina quando essas duas naturezas por algum motivo não se harmonizam.
Não importa  o sentido do caminho, quando o denso e o impalpável se interpenetram, vem a plenitude e a alegria.

Camile Claudel esculpe em bronze e sua pequena estátua  como que grita e explode em vida na percepção de quem a vê.
Um violinista extrai da madeira e das cordas notas musicais que invadem o ar rumo aos tímpanos dos ouvintes criando imagens e emoções intangíveis.

Nossa  porção corpórea tende a ser cartesiana, materialista, lógica, de crer no que vê, e buscando a transcendência de ver o que crê.
Afeto e tesão podem se originar um do outro.  De novo vale a via de mão dupla onde se cruzam e encontram nossas naturezas dicotômicas.

Beijar e abraçar são atos físicos que além de afetar os sentidos são plenos de energia emocional sentimental impalpável  e dotados de carga fortemente simbólica, logo, intangível.

O corpo se ressente do que lhe basta e falta, na sua contraparte corpórea, matéria que atrai matéria, mas, já querendo mesmo rimar, a alma que nos anima é etérea que atrai etérea. Então esse lado nosso mais sublime se liberta de seu veículo somático e, intangivelmente vence distância e tempo e de modo invisível cria novas realidades que nem por serem intangíveis são menos reais. Como o amor.



Os três sentidos


Mesmo que entre nós exista um mar
Três milhões de torres e portais
Dez mil anos-luz, quem sabe mais!
Não se faz preciso te tocar

Antes que o meu nome tu recordes
Já surgi veloz em pensamento
Meio suspirar e já estou dentro
Nada que é do sonho e do que acordes

O amoroso elétron toma senso
Ínfimo, agiganta o gozo extenso
E ambos são Golias e Davi

Triplo é o sentido do sentido
Corpo, mente e espírito fundidos
Pleno é o sentimento: agora e aqui



sábado, 4 de março de 2017

Palavra: o que não a mata, a fortalece


Os futurólogos e gurus da informática não puderam prever a verdadeira erupção do vulcão adormecido da palavra escrita, com a popularização da Internet.

O advento do computador pessoal, portátil ou não, está criando novos amantes da palavra e quiçá futuros escritores, ou no mínimo ávidos leitores, familiarizados pelo intenso treinamento da febril digitação de mensagens de texto ou mesmo em conversas em tempo real nos instant messengers em notebooks e smartphones. Sim, porque recentíssimas pesquisas mostram que os jovens preferem a comunicação por escrito às conversas de viva voz. Basta que observemos: a quantidade de gente digitando mensagens é muito maior do que a gente falando nos celulares.

Ora, direis, que esse, digamos, novo paradigma não aponta necessariamente para uma evolução, um aperfeiçoamento massivo de hábitos, mas quais parâmetros nossos serviriam de base para esse julgamento? As bienais e feiras do livro desmentem isso de forma concreta, o livro, ou seja, em última instância a linguagem escrita, a palavra impressa está reavivada, redimida, resgatada. Se isso vai perdurar, não arrisco prever; nesses tempos velozes e vorazes tudo pode mudar.

Mas...peguemos carona nesse bonde pós-moderno e nos deixemos levar por onde e para onde a palavra nos queira levar, com seu poder de nutrir a imaginação, de instigar as ideias e o debate delas. Sou um eterno apaixonado pelas palavras e a cada momento percebo que existem muito mais iguais a mim do que eu antes podia imaginar.


Vide bula


Palavra é ritmo e dança
Brinquedo de desmontar
Palavra é de som e ar
Aguda ponta de lança

Contida, exaltada. chula
Chicote ou doce canção
Carícia ou demolição
Na dúvida vide bula

É mapa, é lei, estrutura
É luz numa mina escura
Ou pura contradição

Mentira mais verdadeira
Verdade mais traiçoeira
Não diz sim e sim diz não