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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Palavra: o que não a mata, a fortalece


Os futurólogos e gurus da informática não puderam prever a verdadeira erupção do vulcão adormecido da palavra escrita, com a popularização da Internet.

O advento do computador pessoal, portátil ou não, está criando novos amantes da palavra e quiçá futuros escritores, ou no mínimo ávidos leitores, familiarizados pelo intenso treinamento da febril digitação de mensagens de texto ou mesmo em conversas em tempo real nos instant messengers em notebooks e smartphones. Sim, porque recentíssimas pesquisas mostram que os jovens preferem a comunicação por escrito às conversas de viva voz. Basta que observemos: a quantidade de gente digitando mensagens é muito maior do que a gente falando nos celulares.

Ora, direis, que esse, digamos, novo paradigma não aponta necessariamente para uma evolução, um aperfeiçoamento massivo de hábitos, mas quais parâmetros nossos serviriam de base para esse julgamento? As bienais e feiras do livro desmentem isso de forma concreta, o livro, ou seja, em última instância a linguagem escrita, a palavra impressa está reavivada, redimida, resgatada. Se isso vai perdurar, não arrisco prever; nesses tempos velozes e vorazes tudo pode mudar.

Mas...peguemos carona nesse bonde pós-moderno e nos deixemos levar por onde e para onde a palavra nos queira levar, com seu poder de nutrir a imaginação, de instigar as ideias e o debate delas. Sou um eterno apaixonado pelas palavras e a cada momento percebo que existem muito mais iguais a mim do que eu antes podia imaginar.


Vide bula


Palavra é ritmo e dança
Brinquedo de desmontar
Palavra é de som e ar
Aguda ponta de lança

Contida, exaltada. chula
Chicote ou doce canção
Carícia ou demolição
Na dúvida vide bula

É mapa, é lei, estrutura
É luz numa mina escura
Ou pura contradição

Mentira mais verdadeira
Verdade mais traiçoeira
Não diz sim e sim diz não


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